A chegada de um centroavante de verdade
Guerrero no Corinthians foi uma história que começou de forma discreta. Em 13 de julho de 2012, o atacante peruano Paolo Guerrero foi apresentado no Parque São Jorge por R$ 7,5 milhões, chegando para preencher o espaço deixado por Liedson e assumir definitivamente a camisa 9 do Timão.
O início no clube foi abaixo do esperado. A adaptação levou tempo, e a torcida cobrava o centroavante que havia feito nome no Hamburgo, onde balançou as redes mais de 50 vezes em quase 200 jogos pela Bundesliga. Mas Guerrero foi crescendo ao longo do Brasileirão, garantiu sua vaga no time titular e chegou ao Mundial de 2012 no melhor momento possível.
Resumo rápido: o que você vai encontrar neste artigo
Paolo Guerrero chegou ao Corinthians em julho de 2012, contratado por R$ 7,5 milhões para ser o camisa 9 titular
O peruano marcou os dois gols do Timão no Mundial de Clubes de 2012, ambos de cabeça
Na semifinal, balançou as redes contra o Al-Ahly (Egito); na final, fez o único gol da vitória sobre o Chelsea
O Corinthians venceu a decisão por 1 a 0 em Yokohama, no Japão, em 16 de dezembro de 2012
Guerrero recebeu a Bola de Bronze do torneio e entrou para o seleto grupo de ídolos estrangeiros da história corintiana
Em três temporadas no clube, fez 54 gols em 130 jogos e foi eleito melhor atacante do Brasileirão de 2014
O Mundial de Clubes de 2012: o cenário
O torneio aconteceu no Japão, em dezembro de 2012. O Corinthians chegou como representante da América do Sul, depois de conquistar a Libertadores naquele mesmo ano, completando uma escalada impressionante: da Série B em 2007 ao topo do mundo em 2012.
A Fiel cruzou o planeta para estar em Yokohama. A invasão corintiana nas arquibancadas japonesas entrou para o folclore do futebol brasileiro, e a pressão sobre o time era grande: o Chelsea, campeão europeu na temporada anterior, era o favorito. Nomes como Frank Lampard, Juan Mata, Eden Hazard e Fernando Torres compunham o ataque inglês.
A semifinal: o primeiro gol histórico
Antes de encarar o Chelsea, o Corinthians precisava passar pelo Al-Ahly, do Egito. Em 12 de dezembro de 2012, Guerrero decidiu o jogo da mesma forma que decidiria a final: de cabeça.
O único gol da partida, marcado pelo peruano, classificou o Timão para a grande decisão. Foi um aviso para o resto do mundo: aquele centroavante estava em um nível diferente. A confiança cresceu no grupo de Tite e a Fiel já sentia que algo histórico estava por vir.
A final contra o Chelsea: 16 de dezembro de 2012
O dia que o torcedor do Corinthians não esquece. No Estádio Internacional de Yokohama, sob um frio japonês que não esfriou nem um pouco a festa da Fiel, Corinthians e Chelsea disputaram o título mundial.
O Chelsea dominou as estatísticas: 14 finalizações contra 9 do Timão, mais posse de bola, mais chutes a gol. Mas o Corinthians jogava com mais eficiência, e Cássio foi um muro durante 90 minutos. A virada do jogo veio aos 24 minutos do segundo tempo.
A jogada que parou o mundo
Chicão encontrou Paulinho na intermediária. O volante tocou de primeira para Jorge Henrique, que devolveu de cabeça. Paulinho invadiu a área limpando a marcação inglesa, a bola sobrou para Danilo, que bateu de direita. O chute explodiu em Cahill, passou por cima de Cech e sobrou para Paolo Guerrero cabecear para o fundo das redes.
O peruano saiu correndo em direção à torcida corintiana. Yokohama parou. O Brasil parou. Era 1 a 0, e era o suficiente. Cássio faria a última grande defesa nos pés de Fernando Torres já nos acréscimos, selando um título que entrou direto para a história do clube.
A Bola de Bronze e o reconhecimento da FIFA
Ao fim do torneio, Guerrero recebeu a Bola de Bronze, prêmio dado ao terceiro melhor jogador do Mundial. Cássio, eleito o melhor em campo na final, levou a Bola de Prata. O reconhecimento foi justo: o peruano foi o artilheiro do Corinthians na competição, com dois gols decisivos em duas partidas, ambos de cabeça, ambos definindo o placar final.
Para um jogador que chegara ao Japão com dúvidas sobre uma lesão no joelho, o desempenho foi ainda mais notável. Guerrero entrou para a lista dos estrangeiros mais importantes da história corintiana ao lado de nomes como Carlitos Tevez e, mais tarde, virou referência para todas as contratações de centroavantes que o clube faria nos anos seguintes.
Guerrero além do Mundial: a carreira completa no Timão
O título mundial não foi o fim da história de Guerrero no Corinthians. Nas temporadas seguintes, o atacante seguiu sendo o principal referência ofensiva do time. Em 2013, conquistou o Campeonato Paulista. Em 2014, teve sua melhor temporada individual no Brasileirão, sendo eleito o melhor atacante do campeonato.
Ao todo, foram três anos no clube: 130 jogos e 54 gols marcados, com média de um gol a cada 2,4 partidas. Cinco gols em clássicos, dois em finais. Chegou a usar a braçadeira de capitão, honraria rara para um estrangeiro no Parque São Jorge. A saída, em 2015, por questões contratuais, foi dolorosa para a torcida, que até hoje pede que ele seja reconhecido oficialmente como ídolo do clube.
Por que o protagonismo de Guerrero no Mundial de 2012 é único
Poucos jogadores na história do futebol brasileiro viveram um torneio tão concentrado e tão decisivo quanto Guerrero naquele dezembro de 2012. Dois jogos, dois gols, dois resultados por 1 a 0. Sem margem para erro, sem apoio de companheiros nas finalizações, sem lance de segunda chance: ele foi lá e cabeceou para o gol quando o Corinthians precisava.
O título de 2012 é o último conquistado por um clube sul-americano no Mundial de Clubes. De lá para cá, Palmeiras, Flamengo, Atlético-MG e River Plate tentaram, mas a taça ficou na Europa. Isso torna aquele bicampeonato ainda mais raro, e o papel de Guerrero ainda mais irrepetível. O peruano não apenas marcou dois gols: ele carregou o Corinthians ao topo do mundo.
Perguntas frequentes
Quantos gols Guerrero fez no Mundial de Clubes de 2012?
Guerrero marcou dois gols no torneio: um na semifinal contra o Al-Ahly, do Egito, e um na final contra o Chelsea. Ambos foram de cabeça e definiram o placar de 1 a 0 em cada partida.
Como foi o gol de Guerrero contra o Chelsea?
Aos 24 minutos do segundo tempo, após uma jogada envolvendo Chicão, Paulinho, Jorge Henrique e Danilo, a bola sobrou na área para Guerrero, que desviou de cabeça para o fundo das redes. A defesa de Petr Cech não alcançou.
Guerrero ganhou algum prêmio individual no Mundial de 2012?
Sim. O peruano recebeu a Bola de Bronze ao fim do torneio, prêmio concedido ao terceiro melhor jogador da competição. Cássio levou a Bola de Prata.
Quanto tempo Guerrero ficou no Corinthians?
Guerrero ficou três temporadas no Corinthians, de julho de 2012 a maio de 2015. Ao todo, foram 130 jogos e 54 gols marcados com a camisa alvinegra.
O Corinthians já voltou a conquistar o Mundial de Clubes depois de 2012?
Não. O título de 2012, conquistado com Guerrero decisivo, foi o segundo e mais recente bicampeonato mundial corintiano. Desde então, nenhum clube sul-americano conquistou o torneio.
Guerrero ficou para sempre na memória da Fiel
O protagonismo de Guerrero no Corinthians durante o Mundial de 2012 não se resume a dois gols ou a uma Bola de Bronze. Ele representa um momento em que o clube estava no auge de uma era vencedora, com Tite no comando, Cássio no gol e uma geração que saiu da Série B para o topo do mundo em cinco anos.
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Artigo produzido para o Corinthians Online.
