André Negão oficializou a pré-candidatura à presidência do Corinthians.
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André Negão lança pré-candidatura e corrida pela presidência do Corinthians ganha o primeiro nome público

Lucas Baranyi

|5 min de leitura

Enquanto o time tenta se afastar da zona de rebaixamento, a política do Parque São Jorge começou a esquentar de vez. Nesta segunda-feira (21), o conselheiro vitalício André Luiz de Oliveira, mais conhecido como André Negão, oficializou em vídeo nas redes sociais a pré-candidatura à presidência do Corinthians.

O movimento coloca um nome público na corrida por um cargo que será decidido em 28 de novembro. Quem vencer assume em janeiro de 2027 e comanda o clube por três anos, em um dos momentos mais delicados da história recente alvinegra.

Quem é André Negão no Corinthians?

Aos 66 anos, André Negão acompanha o dia a dia do clube desde o fim da década de 1980. No currículo dirigente, passou por funções como diretor administrativo em duas gestões de Andrés Sánchez e vice-presidente na administração de Roberto de Andrade.

A folha de serviços inclui ainda a vice-presidência do Conselho Deliberativo e a presidência da Comissão de Ética e Disciplina. Hoje ele atua apenas como conselheiro e foi assessor parlamentar de Andrés no período em que o ex-dirigente exerceu mandato de deputado federal.

André Negão já disputou uma eleição alvinegra antes?

Sim, e perdeu. Em 2023, André Negão concorreu à presidência pela chapa Renovação & Transparência e foi derrotado por Augusto Melo, em um pleito que terminou com 1.413 votos para ele e 2.771 para o adversário.

O desfecho daquela gestão, porém, mudou o tabuleiro. Augusto Melo sofreu impeachment e foi destituído, abrindo espaço para a eleição indireta que levou Osmar Stabile ao cargo em agosto de 2025, em um mandato-tampão que se encerra no fim deste ano.

O que André Negão disse ao anunciar a pré-candidatura?

No vídeo publicado, o pré-candidato pediu que o torcedor participe do debate em vez de apenas criticar e prometeu responder aos principais questionamentos da Fiel. Ele citou nominalmente a SAFiel, projeto que defende a transformação do futebol do clube em Sociedade Anônima do Futebol.

"Ao invés de só criticarem, que vocês me façam perguntas que posso responder e trazer luz a algumas coisas que não saibam. Precisamos melhorar a gestão? Precisamos. Vou falar da Sociedade Anônima do Futebol", afirmou.

Vale o registro: até aqui são declarações de campanha, não propostas formalizadas. O próprio conteúdo da posição dele sobre a SAF ainda não foi apresentado em detalhe.

Quando é a eleição do Corinthians e o que ela decide?

A Comissão Eleitoral, presidida por Dalton Gioia, marcou a votação para 28 de novembro, um sábado, das 9h às 17h, no Ginásio Wlamir Marques, dentro do Parque São Jorge.

O regimento previa adiamento automático para 5 de dezembro caso o Corinthians chegasse à final da Libertadores, disputada na mesma data em Montevidéu.

Essa ressalva perdeu o efeito com a eliminação para o Estudiantes, nas quartas de final. A eleição, portanto, deve mesmo acontecer em 28 de novembro.

O pleito define presidente, primeiro e segundo vice-presidentes e ainda 200 conselheiros trienais do Conselho Deliberativo, além de 50 suplentes, todos para o triênio 2027 a 2029.

Quem pode votar na eleição do Corinthians?

O direito ao voto não é do torcedor em geral, e sim do quadro associativo, dentro de critérios definidos pelo regimento. Quem pretende participar da Assembleia Geral precisa cumprir três exigências básicas:

  • Ter mais de 18 anos

  • Contar com pelo menos cinco anos ininterruptos de filiação

  • Estar com as contribuições financeiras em dia até dois meses antes da votação, o que aponta 28 de setembro como data-limite

A regra dos cinco anos, aliás, é um dos pontos que o próprio ambiente político do clube vinha discutindo, já que decisões judiciais recentes chegaram a mexer no tamanho do colégio eleitoral em outras votações do Parque São Jorge.

Como funcionam as chapas?

Nenhum candidato está oficialmente registrado ainda. Pelo Estatuto, o prazo para inscrição das chapas é de 15 dias contados a partir da última publicação do Edital de Convocação da Assembleia Geral, o que explica por que todos os nomes em circulação são, por enquanto, pré-candidaturas.

O regimento também estabelece requisitos de composição e custo.

As chapas de diretoria precisam ter no mínimo 30% de representação feminina, com pelo menos um cargo, e pagam uma taxa equivalente a três mensalidades do título familiar, cerca de R$ 990 no total.

Já as chapas que disputam o Conselho Deliberativo arcam com 25 mensalidades do título individual, algo em torno de R$ 6.025.

Quem mais deve disputar a presidência?

André Negão não deve estar sozinho. O conselheiro Sérgio Janikian também aparece como pré-candidato e vem concedendo entrevistas em que critica a estratégia financeira da gestão atual, incluindo a contratação de empréstimos a juros elevados para cobrir folha atrasada.

Outros nomes circulam nas conversas de bastidor, mas sem confirmação pública. Com o prazo de registro ainda fechado, a tendência é que o quadro só fique claro quando as chapas forem efetivamente inscritas, o que também abre espaço para fusões e desistências até lá.

O clube que o próximo presidente vai receber

O vencedor da eleição do Corinthians não assume um clube tranquilo. O balanço de 2025 fechou com dívida bruta de R$ 2,723 bilhões e déficit de R$ 143,4 milhões, números que condicionam qualquer plano de reforço ou reestruturação.

Ao quadro financeiro somam-se a denúncia do Ministério Público contra o presidente Osmar Stabile no caso Bear Security, o inquérito civil que apura irregularidades na administração e a reforma do Estatuto, suspensa pela Justiça.

Resolver essa herança será o primeiro teste de quem for eleito em novembro.

LB

Lucas Baranyi

Com mais de 15 anos de experiência no jornalismo esportivo, acompanha de perto o mercado do futebol e produz análises aprofundadas e imparciais sobre o Timão e o cenário esportivo.

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