Presidente do Corinthians, Osmar Stabile é denunciado pelo MP-SP por apropriação indébita no caso Bear Security.
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Stabile é denunciado pelo MP por apropriação indébita: entenda o caso Bear Security

Foto: Brazil Photo Press/Alamy Live News

Lucas Baranyi

|6 min de leitura

O presidente do Corinthians, Osmar Stabile, foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo por apropriação indébita em continuidade delitiva. A acusação gira em torno da contratação da empresa Bear Security, paga com dinheiro do clube, mas usada, segundo o MP, para proteger o dirigente e sua família em compromissos particulares.

A denúncia foi apresentada em 11 de setembro e veio a público no dia 15. Nesta quarta-feira (16), o clube publicou nota oficial defendendo a contratação. Vamos por partes, porque o caso tem muitos números, prazos e siglas, e o torcedor merece entender o que está realmente em jogo.

O que diz a denúncia do Ministério Público contra Osmar Stabile?

Segundo o promotor Cássio Roberto Conserino, Stabile teria se apropriado de R$ 721.194,66 dos cofres do Corinthians, valor destinado à Bear Security em 16 parcelas praticamente mensais entre julho de 2025 e agosto de 2026. Cada pagamento variou entre R$ 33 mil e R$ 65 mil.

Para o MP, o serviço não tinha caráter institucional. A denúncia sustenta que os profissionais acompanhavam o presidente e familiares em passeios e viagens de lazer, o que configuraria remuneração indireta a um dirigente, prática vedada pelo Estatuto do clube.

Quais provas o promotor usou para embasar a acusação?

O documento reúne notas fiscais, fotos, vídeos e depoimentos colhidos com dirigentes e associados, entre eles Leonardo Pantaleão, presidente da Comissão de Ética e Disciplina, e Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo.

Há ainda registros fotográficos de seguranças acompanhando familiares do presidente em um passeio de barco.

O MP também usou uma entrevista do próprio Stabile, em que o dirigente reconheceu que o clube arcava com a empresa e classificou o serviço como segurança pessoal ao presidente. Para o promotor, a fala demonstra consciência do benefício econômico obtido.

Os pontos que pesam contra a contratação da Bear Security

Um dos argumentos centrais da denúncia é a informalidade do acordo. A relação teria sido acertada verbalmente e só virou contrato em março de 2026, quase oito meses depois do primeiro pagamento, sem a cotação de orçamentos exigida pelo artigo 119 do Estatuto.

O MP aponta ainda que a Bear Security foi fundada em janeiro de 2025, emitiu notas fiscais sequenciais apenas para o Corinthians e não teria autorização da Polícia Federal para atuar no setor. Outro detalhe citado é que a segurança institucional da Neo Química Arena é feita por uma empresa diferente, já homologada pelo compliance.

Quais medidas cautelares o MP pediu à Justiça?

O promotor descartou pedir a prisão preventiva, mas solicitou um pacote de restrições ao presidente, alegando risco de repetição da conduta e de interferência na apuração. São elas:

  1. Proibição de acesso às dependências do Corinthians;

  2. Proibição de contato com testemunhas e dirigentes;

  3. Afastamento cautelar, com suspensão das funções associativas e da representação institucional do clube;

  4. Proibição de deixar o país sem autorização judicial;

  5. Proibição de viagens nacionais superiores a oito dias sem autorização.

Além das cautelares, o documento pede a instauração do processo penal, o ressarcimento dos R$ 721.194,66 em danos materiais e uma reparação de cerca de R$ 540 mil por danos morais ao próprio Corinthians. O bloqueio de bens do dirigente também foi solicitado.

O que o Corinthians diz sobre a denúncia?

Na manhã desta quarta-feira (16), o clube publicou nota em que defende a contratação da empresa e sustenta que a medida foi tomada diante de riscos à integridade física do presidente e de seus familiares, ligados ao exercício do cargo.

A nota destaca que a denúncia é uma acusação sujeita à análise do Judiciário e que sua apresentação, nas palavras do clube, "não representa condenação".

O comunicado também explica a urgência pelo contexto da posse. Stabile assumiu logo após o impeachment de Augusto Melo, sem o período usual de transição eleitoral, e o clube afirma que os valores pagos são compatíveis com o mercado para serviços de mesma natureza e complexidade.

A diretoria nega ter herdado uma despesa particular preexistente e diz que vai cooperar integralmente com as apurações.

O que diz a defesa de Stabile?

Os advogados Pedro João Drummond e Thúlio Guilherme Nogueira afirmaram que receberam a denúncia com estranheza e relembraram as ameaças sofridas pelo dirigente e pela família, episódio que chegou a gerar manifestações de repúdio da FPF e da CBF. A defesa sustenta que a adoção de segurança para dirigentes é prática comum em outros clubes.

Outro ponto reforçado é que o pedido de afastamento depende de decisão judicial. Enquanto ela não sai, Stabile segue no exercício da presidência do Corinthians, como o próprio clube fez questão de registrar.

Denúncia é condenação? O que acontece a partir de agora?

Não, e essa é a distinção mais importante para acompanhar o caso sem atropelo. A denúncia é a peça em que o Ministério Público formaliza uma acusação. Cabe agora à Justiça recebê-la ou rejeitá-la, e é só a partir do recebimento que Stabile passaria à condição de réu.

Se a denúncia for aceita, começa o processo penal, com citação do presidente, oitiva de testemunhas e possibilidade de apresentação de provas pela defesa. As medidas cautelares, incluindo o afastamento, também dependem de análise do juiz e podem ser deferidas, negadas ou aplicadas em parte.

Um capítulo que se soma à crise nos bastidores

A denúncia não chega isolada. O Corinthians convive com uma dívida na casa dos R$ 2,8 bilhões e um déficit de R$ 246 milhões no primeiro semestre, cenário que explica os atrasos recorrentes de pagamento e o clima pesado no Parque São Jorge. No documento, o MP registra ainda que o clube é alvo de outras quatro denúncias criminais.

A Gaviões da Fiel divulgou nota pedindo apuração rigorosa do caso, sinal de que a pressão não vem só do lado jurídico. Nas arquibancadas e nas redes, a conta que a Fiel faz é simples e incômoda: o clube discute R$ 721 mil em segurança particular enquanto os capitães do elenco assumem a conversa com a diretoria sobre salários atrasados.

+ Protesto da Gaviões da Fiel: entenda a escalada da crise no Corinthians

O que a Fiel deve acompanhar nos próximos dias

O próximo movimento está com a Justiça, que precisa decidir sobre o recebimento da denúncia e sobre as cautelares pedidas pelo promotor. Qualquer decisão nesse sentido muda o dia a dia do clube, já que uma delas prevê a suspensão das funções do presidente.

Seguimos acompanhando cada etapa do caso Bear Security aqui no Corinthians Online, com atualização a cada nova decisão, manifestação do clube ou resposta da defesa. Enquanto isso, vale repetir o que a própria nota alvinegra reconhece: quem dá a palavra final é o Judiciário.

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LB

Lucas Baranyi

Com mais de 15 anos de experiência no jornalismo esportivo, acompanha de perto o mercado do futebol e produz análises aprofundadas e imparciais sobre o Timão e o cenário esportivo.

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