O Corinthians tentou aliviar mais um dos transfer bans que travam o clube nesta janela de transferências, mas esbarrou na resistência do credor. O Timão pediu à Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) uma renegociação no cronograma de pagamento de uma dívida com o Cuiabá, relativa à contratação do volante Raniele, e recebeu uma resposta firme do clube mato-grossense.
A proposta corintiana previa adiar a parcela que venceu em 17 de julho para 31 de agosto, ao mesmo tempo em que a parcela prevista para outubro seria antecipada, quitando as duas na mesma data. O argumento do Corinthians foi a queda de arrecadação durante a paralisação do Brasileirão para a Copa do Mundo, que teria afetado o fluxo de caixa do clube.
O Cuiabá, porém, não aceitou. Em manifestação enviada à CNRD, o Dourado rebateu o pedido e afirmou que manter a sanção enquanto não houver o pagamento efetivo não causa qualquer prejuízo indevido ao credor. Segundo o clube, bastaria ao Corinthians pagar o que deve, na forma e no prazo a que se obrigou. A diretoria mato-grossense também classificou a proposta como uma tentativa de inverter a ordem natural das coisas.
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O que está em jogo para o Corinthians
O impasse é mais um capítulo de uma temporada marcada por dificuldades financeiras. O clube soma três transfer bans ativos, o que impede o registro de novos jogadores justamente na janela que abriu nesta segunda-feira (20) e vai até 11 de setembro. Enquanto as pendências não são resolvidas, qualquer reforço de Fernando Diniz segue fora do alcance da diretoria.
A situação chega em um momento delicado para o torcedor, que vê o time tentar se reerguer no Brasileirão logo após a pausa para a Copa do Mundo. Resolver o caso do Cuiabá seria um passo importante para destravar ao menos parte do planejamento da comissão técnica para o segundo semestre.
Por ora, a palavra final sobre o parcelamento segue nas mãos da CNRD, que ainda não se manifestou sobre o pedido do Corinthians nem sobre a contestação do Cuiabá. O Timão volta a campo nesta quinta-feira, contra o Remo, na Neo Química Arena, tentando deixar os problemas de bastidores um pouco de lado dentro das quatro linhas.
Como o transfer ban chegou a esse ponto
A sanção envolvendo o Cuiabá é uma entre as três punições que o Corinthians acumula atualmente por dívidas com outros clubes. O quadro se soma a um cenário financeiro já conhecido da torcida: dívida bruta estimada em R$ 2,7 bilhões e um déficit de cerca de R$ 168 milhões só entre janeiro e abril deste ano.
Nos últimos dias, o clube priorizou o pagamento de direitos de imagem em atraso com o elenco profissional masculino, o que já reduziu parte da pressão interna. Resolver a pendência com o Cuiabá seguiria na mesma linha de tentar reorganizar as finanças antes de buscar reforços para o segundo semestre.
O que muda se o pedido for negado
Caso a CNRD mantenha a posição do Cuiabá, o Corinthians precisará quitar integralmente a parcela em atraso para ver o transfer ban suspenso, sem margem para o escalonamento que a diretoria havia proposto. Isso pressionaria ainda mais o caixa do clube em um momento no qual outras dívidas, como os direitos de imagem de junho, também aguardam pagamento.
Enquanto o desfecho não sai, o departamento de futebol de Fernando Diniz segue sem poder inscrever qualquer nome novo, mesmo que surja uma oportunidade de mercado considerada interessante pela comissão técnica.
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