Tem estádio que guarda partida. E tem estádio que guarda alma. O Pacaembu é dos segundos. Para a Fiel, o Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho nunca foi apenas um palco de jogo. Foi casa, abrigo, palco de glórias e, por muitas décadas, o lugar onde o Corinthians se sentiu mais Corinthians do que em qualquer outro canto do Brasil.
Neste artigo, contamos como essa relação começou, o que ela produziu ao longo de quase um século e por que, mesmo com a Neo Química Arena no horizonte, o Pacaembu ainda ocupa um lugar especial na memória corintiana.
O primeiro encontro: 28 de abril de 1940
O Pacaembu foi inaugurado em 27 de abril de 1940. No dia seguinte, quem entrou em campo para a primeira partida de verdade foi o Corinthians. O adversário era o Atlético Mineiro, e o jogo era válido pelo torneio de inauguração do estádio, a Taça Cidade de São Paulo.
O resultado não poderia ter sido mais corintiano: uma virada. O Timão saiu atrás, mas arrancou o triunfo por 4 a 2, com gols de Servílio, Dino, Carlinhos e Lopes. Não era ainda o começo de um namoro. Era o começo de uma história de amor.
Por que o Pacaembu virou a casa do Corinthians?
Antes de o Pacaembu existir, o Corinthians mandava seus jogos na Fazendinha, o Estádio Alfredo Schürig, no Parque São Jorge. O problema era simples: a torcida crescia mais rápido do que o estádio conseguia absorver.
Com o Pacaembu moderno, espaçoso e central, a mudança foi natural. Aos poucos, o estádio municipal foi se tornando o endereço fixo do Alvinegro. O que era conveniência virou identidade, e a Fiel foi se apropriando daquele espaço como quem assina o nome na parede.
Os números de uma parceria histórica
Poucos clubes no mundo podem dizer que dominaram um estádio da forma que o Corinthians dominou o Pacaembu. Ao longo de décadas de convivência, o Timão disputou 1.699 partidas no estádio, com um aproveitamento de 64,8%: foram 969 vitórias, 399 empates e 331 derrotas.
No ataque, o saldo foi ainda mais impressionante: 3.321 gols marcados contra 1.934 sofridos. Um terreno fértil, nos mais amplos sentidos do termo.
Os títulos que o Pacaembu guarda
O estádio não foi só o palco das partidas. Foi onde o Corinthians levantou taças, e não poucas. Ao todo, o Timão conquistou oito títulos tendo o Pacaembu como cenário.
Entre eles estão dois Torneios Rio-São Paulo (1950 e 1954), três Campeonatos Paulistas (1951, 1954 e 2009), o Campeonato Brasileiro de 2011, a Copa Libertadores de 2012 e a Recopa Sul-Americana de 2013. Uma prateleira de troféus que poucas arenas do país podem exibir.
O maior público da história: 1942
Em 1942, o Pacaembu viveu um dos dias mais intensos de toda a sua existência. Corinthians e São Paulo se enfrentaram pelo Campeonato Paulista, e o estádio registrou o público de 71.281 pessoas. Foi o maior da história do Pacaembu em um jogo de futebol.
O clássico terminou em 3 a 3 e marcou também a estreia de Leônidas da Silva, o Diamante Negro, pelo Tricolor. Mas naquele dia, a festa maior era da Fiel, que lotou cada canto do estádio.
2012: a Libertadores conquistada na Maloca
Se há um momento que resume o que o Pacaembu representa para o torcedor corintiano, é 4 de julho de 2012. Naquele dia, com o Boca Juniors como adversário na final da Copa Libertadores, o Timão entrou em campo com a missão de conquistar o título mais desejado da história do clube.
Comandados por Tite, os corinthianos fizeram uma campanha invicta durante todo o torneio. Na decisão em casa, dois gols de Emerson Sheik lacráram a conquista: 2 a 0 para o Corinthians, Libertadores conquistada no Pacaembu. Quem estava no estádio naquela noite guarda uma lembrança que não vai embora.
A semifinal inesquecível contra o Santos
Antes da final, o Pacaembu foi palco de outro jogo que entrou para o folclore corintiano. Na semifinal contra o Santos, de Neymar, o Alvinegro precisava de um empate para avançar à sua primeira final de Libertadores.
Neymar abriu o placar para o Santos no primeiro tempo, e a tensão tomou conta das arquibancadas. Mas no segundo tempo, Danilo empatou com frieza, e o Corinthians seguiu em frente. Uma noite de 38 mil pessoas segurando o coração com as duas mãos.
As quartas contra o Vasco: Cássio e a defesa histórica
Nas quartas de final, mais um capitulo memorável escrito no Pacaembu. Diego Souza, do Vasco, saiu em frente ao gol com tudo para marcar e eliminar o Timão. Cássio voou, defendeu, e o estádio veio abaixo. Depois, Paulinho cabeceou no ângulo e correu para abraçar a torcida no alambrado, numa cena que virou símbolo daquele torneio.
A despedida de 2014
Em maio de 2014, a Neo Química Arena foi inaugurada, e o Corinthians ganhou finalmente o seu próprio estádio. Com isso, chegou o momento de dizer adeus ao Pacaembu como mandante.
O jogo da despedida oficial aconteceu em agosto de 2014, pelo Campeonato Brasileiro. O adversário foi o Flamengo, e o Timão venceu por 2 a 0, com gols de Guilherme e Gil. Cerca de 36 mil torcedores foram ao Pacaembu para essa última noite como anfitrião. Uma despedida com vitória, como convém ao Corinthians.
O último jogo antes da reforma: o Derby de 2019
Após a mudança para a Neo Química Arena, o Corinthians ainda voltou ao Pacaembu em algumas ocasiões como visitante. O último jogo antes da longa reforma do estádio foi um Derby contra o Palmeiras, em novembro de 2019, pelo Campeonato Brasileiro.
O resultado foi 1 a 1, com Michel Macedo marcando pelo Timão. Uma despedida sem festa, mas carregada de nostalgia para quem acompanhou aquele período com a Fiel no Pacaembu.
A reabertura e o reencontro em 2025
O Pacaembu ficou fechado para reformas e reabriu no dia 25 de janeiro de 2025, agora com o nome de Mercado Livre Arena Pacaembu. E o jogo que marcou a estreia do estádio reformado foi, curiosamente, outro capítulo da história corintiana: a final da Copa São Paulo de Futebol Júnior, entre Corinthians e São Paulo, com vitória tricolor por 3 a 2.
Em fevereiro do mesmo ano, o time principal do Corinthians voltou ao Pacaembu pela primeira vez em mais de cinco anos, para enfrentar a Portuguesa pelo Campeonato Paulista. Mesmo jogando como visitante, a Fiel tomou as arquibancadas com cerca de 20 mil torcedores dos 23 mil ingressos disponíveis. Era difícil dizer quem mandava naquele jogo.
O Pacaembu na memória do Corinthians
Mais de 80 anos separam o primeiro jogo de 1940 do reencontro de 2025. Nesse intervalo, o Corinthians foi o clube que mais vezes pisou no gramado do Pacaembu, que mais gols marcou, que mais títulos levantou por lá.
A Fazendinha sempre foi o berço. A Neo Química Arena é a casa nova. Mas o Pacaembu foi, por décadas, o lar. E lar, como todo corintiano sabe, é um lugar que a gente carrega no peito muito depois de ter saído.
Perguntas frequentes sobre o Corinthians e o Pacaembu
Quando foi o primeiro jogo do Corinthians no Pacaembu?
Foi em 28 de abril de 1940, no dia seguinte à inauguração do estádio. O Timão venceu o Atlético Mineiro por 4 a 2 pelo torneio de abertura do estádio.
Quantos jogos o Corinthians fez no Pacaembu?
O Corinthians disputou 1.699 partidas no Pacaembu, com 969 vitórias, 399 empates e 331 derrotas, sendo o clube que mais vezes atuou no estádio.
Qual foi o maior público do Corinthians no Pacaembu?
O maior público em um jogo com o Corinthians no Pacaembu foi de 71.281 pessoas, registrado em 1942 no clássico contra o São Paulo pelo Campeonato Paulista.
Quais títulos o Corinthians conquistou no Pacaembu?
Foram oito títulos: dois Torneios Rio-São Paulo (1950 e 1954), três Campeonatos Paulistas (1951, 1954 e 2009), o Brasileirão de 2011, a Copa Libertadores de 2012 e a Recopa Sul-Americana de 2013.
Quando o Corinthians se despediu do Pacaembu como mandante?
A despedida oficial aconteceu em agosto de 2014, com vitória por 2 a 0 sobre o Flamengo pelo Campeonato Brasileiro. Após isso, o Timão passou a mandar seus jogos na Neo Química Arena.
