A história do Corinthians na Libertadores tem um marco que todo corintiano sabe de cor e um vazio que ninguém gosta de contar. O marco é 2012, com a campanha invicta que trouxe a primeira taça continental.
Depois da glória, vem o vazio: desde então, o Timão nunca mais voltou à penúltima fase do torneio. A eliminação para o Estudiantes, em 16 de setembro de 2026, transformou o jejum em quase uma década e meia.
Mas seria injusto tratar essa queda como um episódio isolado. Esse é o nono capítulo de uma sequência que começou logo depois da festa, e entender essa sequência ajuda a Fiel a enxergar o que realmente mudou desde a noite de Emerson Sheik.
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Todas as eliminações do Corinthians na Libertadores desde 2012
Foram nove participações desde a conquista, e nenhuma delas passou das quartas de final. Veja o resumo:
Ano | Fase | Algoz | Como terminou |
|---|---|---|---|
2013 | Oitavas de final | Boca Juniors | Empate no Pacaembu em jogo cercado de polêmicas de arbitragem |
2015 | Oitavas de final | Guaraní (PAR) | Duas derrotas no confronto |
2016 | Oitavas de final | Nacional (URU) | Dois empates e queda pelo critério do gol qualificado |
2018 | Oitavas de final | Colo-Colo (CHI) | Vitória por 2 a 1 em casa insuficiente pelo gol fora |
2020 | Pré-Libertadores | Guaraní (PAR) | Eliminação antes da fase de grupos |
2022 | Quartas de final | Flamengo | 2 a 0 em São Paulo e 1 a 0 no Rio para o rival |
2023 | Fase de grupos | Grupo E | Sete pontos e terceiro lugar na chave |
2025 | Pré-Libertadores | Barcelona (EQU) | 3 a 0 na ida no Equador e 2 a 0 na volta, sem reverter |
2026 | Estudiantes (ARG) | 1 a 1 em La Plata e 0 a 1 em Itaquera |
Repare no desenho: quatro quedas nas oitavas, duas nas quartas, duas antes mesmo de entrar na competição de verdade e uma na fase de grupos. O Corinthians não parou sempre no mesmo lugar, e talvez seja isso o que mais incomoda.
Quantas vezes o Corinthians chegou à semifinal da Libertadores?
Apenas duas em toda a história: 2000 e 2012. Na primeira, o Timão caiu para o Palmeiras nos pênaltis, em uma eliminação que marcou uma geração. Na segunda, passou pelo Santos com duas vitórias por 1 a 0 e seguiu rumo ao título.
Para um clube com a segunda maior torcida do país, o número é modesto e explica boa parte da ansiedade que toma a Fiel a cada edição.
A campanha de 2012 seguiu como o teto absoluto do Corinthians na Libertadores: 14 jogos, oito vitórias, seis empates, 22 gols marcados e apenas quatro sofridos, sob o comando de Tite.
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As quatro quedas seguidas nas oitavas de final
Entre 2013 e 2018, o Corinthians entrou nas oitavas quatro vezes e caiu nas quatro. O roteiro chegou a ser quase idêntico: fase de grupos tranquila, muitas vezes com a liderança da chave, e um tropeço no primeiro mata-mata contra adversários que não eram favoritos.
Dois desses jogos ainda doem de formas diferentes. Em 2013, o reencontro com o Boca Juniors terminou com acusações de arbitragem que o torcedor não esqueceu.
Em 2018, o Timão venceu o Colo-Colo por 2 a 1 em Itaquera e mesmo assim deu adeus, vítima do critério do gol fora de casa, que hoje nem existe mais.
As eliminações do Corinthians na pré-Libertadores
O Corinthians foi eliminado três vezes antes de chegar à fase de grupos: em 2011 para o Tolima, em 2020 para o Guaraní e em 2025 para o Barcelona de Guayaquil. É o único clube brasileiro com mais de uma queda nessa etapa.
A de 2025 teve um gosto particular. Depois da derrota por 3 a 0 no Equador, o Timão venceu por 2 a 0 em uma Neo Química Arena empurrando até o fim, mas o buraco era grande demais. A Fiel saiu do estádio com a sensação de que o problema tinha começado uma semana antes.
2022 e 2026: as quartas que pararam o Timão
Nas duas vezes em que o Corinthians voltou a uma quarta de final depois do título, a história terminou igual. Em 2022, a euforia da classificação sobre o Boca Juniors nos pênaltis, na Bombonera, com Cássio pegando duas cobranças, esbarrou no Flamengo, que venceu por 2 a 0 em São Paulo e por 1 a 0 no Rio.
Em 2026, o roteiro foi ainda mais cruel. O empate por 1 a 1 em La Plata deixou tudo aberto, mas o gol de Alexis Castro na reta final e o pênalti isolado por Memphis Depay no último lance selaram a queda em casa. Com isso, o Timão soma seis participações nas quartas, com duas classificações e quatro eliminações.
2023: a segunda eliminação na fase de grupos da história
Nem sempre o Corinthians chegou perto. Em 2023, o Timão foi parar no Grupo E, ao lado de Liverpool-URU, Argentinos Juniors e Independiente del Valle, e terminou em terceiro com sete pontos.
Foi apenas a segunda vez que o clube caiu ainda na primeira fase. A outra havia sido em 1977, na estreia do Corinthians na competição, quando o torneio ainda não tinha o peso que tem hoje. Um intervalo de 46 anos entre um vexame e outro.
O que explica o jejum do Corinthians na Libertadores?
Não existe uma causa única, e desconfie de quem oferecer uma. O que os números mostram é um padrão de instabilidade: o clube alternou anos fora do torneio, entradas pela porta dos fundos na fase preliminar e campanhas em que o time chegou ao mata-mata sem o mesmo poder de fogo dos rivais.
Há também um componente de calendário e de gestão. Em boa parte desse período, o Corinthians viveu trocas frequentes de treinador, elencos montados às pressas e uma crise financeira que limitou investimentos. Levar isso para uma competição decidida em 180 minutos costuma cobrar caro.
O que vem pela frente para o Corinthians na Libertadores?
Com a queda de 2026, a próxima chance depende do desempenho no Campeonato Brasileiro, que voltou a ser a única competição do Timão na temporada. É a mesma equação de sempre: para sonhar com o continente, o clube primeiro precisa se resolver dentro do país.
Enquanto isso, o jejum segue contando. São 14 anos desde a última semifinal do Corinthians na Libertadores, tempo suficiente para uma geração inteira de torcedores crescer sem ver o Timão entre os quatro melhores da América.
A Fiel, que já esperou 102 anos pela primeira taça, sabe que essa conta uma hora vira.
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