A campanha "Assina, Fiel" segue ganhando força entre os torcedores do Corinthians. O movimento SAFiel↗, que defende a transformação do futebol do clube em uma Sociedade Anônima do Futebol, já soma mais de 73 mil cadastros de apoio (número checado na terça-feira, 29/06), segundo contador atualizado em tempo real no site da campanha, e tem como meta chegar a 100 mil assinaturas até o dia 9 de julho.
A proposta enviada ao Corinthians prevê uma captação entre R$ 2,5 bilhões e R$ 3 bilhões, voltada principalmente ao saneamento das dívidas do futebol e a investimentos esportivos e de infraestrutura. Até agora, porém, a diretoria do clube não se manifestou oficialmente sobre o documento.
O que diz a proposta da SAFiel?
A carta de intenções, não vinculante, foi enviada ao Corinthians em 2 de junho e renova uma oferta apresentada originalmente em outubro de 2025 pelo trio formado por Carlos Teixeira, Eduardo Salusse e Maurício Chamati.
Em contrapartida ao aporte, o clube social manteria participação na nova empresa, receberia royalties estimados em R$ 600 milhões ao longo de dez anos pelo uso da marca e teria direitos especiais de governança por meio de uma golden share, mecanismo que garante poder de veto em decisões estratégicas.
O modelo proposto também prevê a criação de órgãos como Conselho de Administração, Conselho Fiscal e Comitê de Governança, além da pulverização do capital entre torcedores, com investimentos a partir de R$ 250 por CPF. Segundo os idealizadores, essa estrutura impediria que qualquer corinthiano concentrasse participação suficiente para controlar a sociedade sozinho.
Por que a campanha de assinaturas foi lançada?
O abaixo-assinado nasceu depois de uma semana sem resposta de Osmar Stabile à carta enviada em junho. Com o site safielja.com.br, o grupo passou a reunir manifestações de apoio para pressionar a diretoria a analisar formalmente a proposta junto ao Conselho de Orientação e ao Conselho Deliberativo do clube.
Em entrevista recente, Carlos Teixeira reforçou que a etapa atual do projeto depende diretamente da participação do Corinthians. Segundo ele, formalizar contratos, estruturar fundos e distribuir ações aos torcedores só é possível com o clube sentado à mesa de negociação.
Aporte antecipado e sigilo dos investidores
Um dos pontos discutidos é a possibilidade de um aporte de capital antecipado ao Corinthians, ainda em fase de estudo. Segundo Teixeira, as condições desse pagamento, incluindo taxas e garantias, só poderão ser definidas depois que o clube apresentar o que pode oferecer em contrapartida.
Já sobre os investidores por trás da iniciativa, o idealizador afirmou que há instituições financeiras e torcedores interessados em participar, mas que parte deles prefere manter sigilo até que o Corinthians formalize a entrada nas negociações. Ele também declarou que alguns dos próprios idealizadores do projeto pretendem integrar esse aporte inicial.
O que acontece depois do dia 9 de julho?

Com o encerramento da campanha previsto para 9 de julho, a expectativa dos idealizadores é entregar a Stabile as 100 mil assinaturas junto com um cheque simbólico previsto na proposta não vinculante.
Com mais de 73 mil apoios já registrados a campanha está cada vez mais próxima da meta estipulada, faltando pouco mais de 26 mil assinaturas para o número redondo. A partir daí, caberá ao Corinthians decidir se abre ou não negociações formais para avaliar o projeto.
Até o fechamento desta matéria, o clube não confirmou qualquer tratativa direta com os representantes da SAFiel. A repercussão entre a torcida, no entanto, segue crescendo, com o tema dividindo opiniões dentro e fora dos órgãos de gestão do Parque São Jorge.
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