Quatro derrotas seguidas no Brasileirão têm um preço, e ele começa a chegar na conta de Fernando Diniz. Depois do revés por 2 a 1 para a Chapecoense, dentro da Neo Química Arena, a paciência de parte da torcida corintiana deu sinais de esgotamento. O clima não é de tranquilidade, e a semana com jogo pela Libertadores coloca o técnico sob os holofotes.
Nós entendemos a frustração da Fiel, e ela é legítima. Mas convém separar o que é cobrança natural de um momento ruim daquilo que já vira sentença. Vamos ao que o jogo, os números e as falas mostram, sem dramatizar além da conta.
Por que a pressão sobre Diniz cresceu agora?
A resposta está na sequência. A virada sofrida para a lanterna Chapecoense foi a quarta derrota consecutiva no Campeonato Brasileiro, depois dos tropeços diante de Coritiba, Cruzeiro e Santos. Três delas aconteceram em casa, o que dói ainda mais para quem enche a Arena.
Com 32 pontos, o Corinthians caiu para a 11ª colocação, no meio da tabela, longe do que a torcida projetava para a temporada. Some a isso um clássico perdido em casa e uma derrota para o lanterna também em Itaquera, e o resultado é uma panela pronta para ferver.
O que a torcida está cobrando?
A insatisfação, que já vinha crescendo nas redes sociais, transbordou para as arquibancadas. Ao fim da derrota para a Chape, parte da torcida vaiou os jogadores e a comissão técnica, num retrato claro de que o ambiente saiu do campo das redes e chegou ao estádio.
A principal reclamação segue sendo a falta de poder ofensivo, mas as falhas defensivas se somaram ao roteiro. As cobranças respingaram no elenco, no meia Rodrigo Garro e, de forma direta, no próprio Diniz. É o tipo de reação que acompanha qualquer má fase em um clube grande, e o Corinthians não é exceção.
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O que Fernando Diniz respondeu?
Desta vez, o tom foi de mea-culpa. Diniz pediu desculpas à torcida, assumiu a responsabilidade pela sequência e admitiu o incômodo com o desempenho, sobretudo em casa. "Peço desculpa em nome dos jogadores, porque temos de entregar a vitória. O torcedor tem dado show aqui, nós temos de entregar mais", afirmou o técnico.
O treinador reconheceu que a equipe perdeu a solidez defensiva que tinha no início de sua gestão. "Quatro derrotas machucam muito, três derrotas em casa. Assumo a principal responsabilidade do time", disse. Ele lamentou ainda os erros pontuais na virada da Chape: "Tomamos dois gols de tiro de meta. Não podia tomar os dois gols que a gente tomou".
Os desfalques ainda pesam na fase ruim?
Em parte, sim. Diniz vinha montando o time sem peças importantes: Yuri Alberto seguia no departamento médico, e nomes como Breno Bidon e André Carrillo também ficaram de fora em rodadas recentes. O ataque acabou apoiado em Memphis Depay, ainda em busca da melhor forma, e em opções mais jovens.
Isso não anula a cobrança, mas ajuda a dimensionar o quadro. Um elenco desfalcado em setores decisivos tende a produzir menos, e a recuperação de lesionados pode mudar a cara do time. Ainda assim, como o próprio Diniz admitiu, o roteiro de erros defensivos passou a custar caro.
A crise só é esportiva?
Não. Por trás do momento ruim em campo, o Corinthians também enfrenta dificuldades financeiras. A diretoria mantém pendências salariais com o elenco e, até o momento, não apresentou uma previsão clara para regularizar os pagamentos. É um fator que ajuda a explicar o clima pesado nos bastidores.
Some-se a isso a discussão sobre o futuro da própria comissão. Diniz permanece no cargo e a diretoria não emitiu qualquer comunicado sobre mudança, mas a cúpula monitora de perto a reação do elenco. O contrato do treinador, assinado em abril, vai até dezembro de 2026, o que mantém o debate sobre continuidade em aberto.
O que está em jogo na sequência?
A chance de virar a chave chega rápido, e vem pela via mais nobre. O Timão visita o Estudiantes nesta quarta-feira (9), às 21h30, em La Plata, pelo jogo de ida das quartas de final da Libertadores. A competição continental virou o principal caminho para dar alívio à temporada e à comissão técnica.
Depois do compromisso na Argentina, o Corinthians ainda encara o Flamengo, pelo Brasileirão, em sequência de pedreiras. Uma resposta positiva alivia a pressão e recoloca o time nos trilhos. Um novo tropeço, por outro lado, tende a esquentar de vez o debate sobre o trabalho de Diniz.
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