O Corinthians vive uma dualidade curiosa nesta temporada. No Brasileirão, o time luta para sair da zona de rebaixamento. Na Libertadores, é o melhor da fase de grupos entre todos os times brasileiros. E é essa versão que Fernando Diniz vai precisar na quinta-feira (30), às 21h, na Neo Química Arena, quando recebe o Peñarol pela terceira rodada do Grupo E.
A situação no grupo: Timão lidera com folga
Com a vitória sobre o Independiente Santa Fe por 2 a 0 e o resultado combinado do triunfo do Platense sobre o Peñarol por 2 a 1, o Corinthians se isolou na liderança do Grupo E com seis pontos, mantendo 100% de aproveitamento nas duas primeiras rodadas.
A tabela do grupo, após duas rodadas, está assim: Corinthians lidera com 6 pontos, Platense em segundo com 3, Peñarol em terceiro com 1 e Santa Fe em lanterna também com 1. O Corinthians possui ainda a terceira melhor campanha de toda a Libertadores até aqui, atrás apenas do Boca Juniors e do Flamengo pelo número de gols marcados.
Uma vitória sobre o Peñarol nesta quinta-feira colocaria o Timão a um passo da classificação antecipada para as oitavas, com três rodadas de antecedência.
Quem é o Peñarol: tradição e momento delicado
O Peñarol é o cabeça de chave do Grupo E. O clube uruguaio é pentacampeão da Libertadores, mas o último título foi conquistado em 1987. O melhor resultado recente foi o vice-campeonato em 2011, quando perdeu para o Santos. O time é comandado por Diego Aguirre, treinador com histórico em Brasil — passou por Internacional, São Paulo, Santos e Atlético-MG.
O momento do adversário, no entanto, é de instabilidade. O Peñarol perdeu para o Platense na segunda rodada e chegou a três jogos seguidos sem vencer, somando derrotas para Wanderers e Liverpool no campeonato uruguaio e para Platense na Libertadores. A derrota para o argentino na última rodada deixou os uruguaios em situação delicada na chave, tornando o duelo em Itaquera praticamente uma final de grupo para o time de Aguirre.
O retrospecto equilibrado entre os clubes
O duelo entre Corinthians e Peñarol é historicamente equilibrado. As equipes já se enfrentaram seis vezes, com duas vitórias para cada lado e dois empates. O último encontro foi na Copa Sul-Americana de 2021, quando o Peñarol levou a melhor nos dois confrontos: 2 a 0 em São Paulo e 4 a 0 em Montevidéu.
O histórico recente pesa contra o Timão, mas o contexto é completamente diferente: o Corinthians de 2021 vivia uma crise, enquanto o de 2026 chega embalado, invicto na competição e com a confiança de uma campanha impecável sob Diniz no torneio continental.
Memphis pode estrear no jogo
A grande novidade do duelo pode ser o retorno de Memphis Depay. O atacante holandês não atua desde 22 de março, quando sofreu uma lesão muscular grau 2 na coxa direita no empate com o Flamengo, e tem retorno previsto justamente para esta partida contra o Peñarol. A presença do camisa 10 na Neo Química Arena, mesmo por alguns minutos, teria impacto imediato tanto no desempenho ofensivo quanto na motivação da torcida, que esgotou os ingressos com antecedência.
Diniz, no entanto, será cauteloso. Após o episódio de agravamento da lesão por erro interno no CT, a comissão técnica não vai arriscar uma recaída — especialmente com a sequência intensa de jogos nas próximas semanas.
O que está em jogo além dos três pontos
O Corinthians se classificou para a Libertadores ao vencer a Copa do Brasil de 2025 contra o Vasco, no Maracanã. O clube tenta voltar ao mata-mata do torneio continental, o que não acontece desde 2022, quando chegou às quartas de final. Para a Fiel, a Libertadores representa o objetivo maior da temporada — e a janela de classificação antecipada que se abre nesta quinta-feira é uma oportunidade rara de resolver o grupo com tranquilidade antes da sequência de jogos decisivos em maio.
A Neo Química Arena estará lotada. O Corinthians, líder invicto com o melhor ataque entre os times da chave, joga em casa com amplo favoritismo. É noite de fazer valer.
