Imagem: Gilvan ded Souza/Flamengo
O Corinthians voltou a desafiar a lógica do futebol brasileiro. Em um cenário amplamente desfavorável, marcado por um surto de virose que atingiu jogadores e membros da comissão técnica na véspera da decisão, o Timão fez uma atuação dominante contra o Flamengo, venceu por 2 a 0 e conquistou o título da Supercopa Rei 2026.
A final foi disputada no Estádio Mané Garrincha, no domingo (2), e simbolizou mais um capítulo improvável da recente trajetória corintiana: superar adversidades extracampo, enfrentar um rival com maior poder financeiro e levantar taças mesmo sob enorme pressão.
Surto de virose e preparação comprometida
Se o favoritismo já pendia para o Flamengo, campeão brasileiro e da Libertadores em 2025, o Corinthians ainda precisou lidar com um surto de virose que afetou 11 atletas. Entre eles, nomes importantes como Yuri Alberto, Rodrigo Garro, Raniele e Hugo Souza.
Yuri, autor do segundo gol da final, foi um dos mais impactados. O centroavante sequer conseguiu participar da análise tática coletiva sobre o adversário no CT Joaquim Grava, sendo instruído individualmente no dia da decisão. Garro, cotado para iniciar como titular, acordou o departamento médico na manhã do jogo relatando fortes sintomas e acabou começando no banco.
Estratégia de Dorival e domínio tático
Diante do contexto, o técnico Dorival Júnior precisou ser cirúrgico. O Corinthians foi armado com forte consistência no meio-campo, apostando em intensidade, marcação coordenada e leitura precisa do jogo.
A escolha por Gabriel Paulista na defesa, formando uma linha mais protegida, e o posicionamento de Raniele para neutralizar Arrascaeta foram determinantes. Breno Bidon e André também tiveram atuações de alto nível, garantindo equilíbrio entre proteção defensiva e saída de bola qualificada.
Mesmo com menor posse (42%), o Timão foi mais eficiente e inteligente. Após suportar a pressão inicial do Flamengo, passou a controlar o meio-campo e reduzir drasticamente o espaço do rival.
Gol ensaiado e vantagem no primeiro tempo
O placar foi aberto em jogada ensaiada. Após escanteio curto cobrado por Memphis Depay, a bola circulou até chegar em Matheuzinho, que levantou na área. Gustavo Henrique desviou, e Gabriel Paulista finalizou para marcar o primeiro gol da decisão.
O Corinthians ainda teve chances de ampliar antes do intervalo, especialmente em um contra-ataque que deixou Memphis cara a cara com Rossi, mas o goleiro argentino evitou o segundo.
Expulsão, controle e gol do título
O segundo tempo começou com um fator decisivo: a expulsão de Carrascal, do Flamengo, após revisão do VAR por cotovelada em Bidon. Mesmo com um jogador a mais, o Corinthians demorou a se ajustar, mas não perdeu o controle emocional da partida.
Com o passar do tempo, a equipe passou a trocar mais passes e ocupar melhor o campo ofensivo. Já nos acréscimos, o roteiro improvável se completou: Kaio César encontrou Yuri Alberto, que aplicou um chapéu em Rossi e finalizou de cabeça para sacramentar o 2 a 0 e o título.
Um título que simboliza resistência
A conquista da Supercopa Rei 2026 representa mais do que um troféu. Ela reforça um ciclo iniciado em 2025, com os títulos do Campeonato Paulista e da Copa do Brasil, em meio a dificuldades administrativas, políticas e financeiras.
O Corinthians mostrou que competitividade, organização e espírito coletivo ainda podem desafiar elencos milionários. Contra o Flamengo, mesmo debilitado fisicamente, o Timão se agigantou — e começou a temporada 2026 levantando a primeira taça do ano.
