O Sport Club Corinthians Paulista deu início ao processo de distrato dos contratos de licenciamento de marca com três postos de combustíveis localizados na Zona Leste de São Paulo que estão sob investigação da Operação Carbono Oculto, conduzida pelo Ministério Público paulista. Os estabelecimentos utilizavam a marca “Postos Corinthians” e pertencem a empresários investigados por suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
A informação foi divulgada inicialmente pelo site Meu Timão e confirmada por apurações do g1. Segundo as autoridades, a operação investiga uma ampla rede de postos de combustíveis e empresas suspeitas de integrar um esquema de lavagem de dinheiro e fraudes tributárias que ultrapassaria bilhões de reais.
Quais são os postos que perderam o licenciamento do Corinthians?
De acordo com registros da Agência Nacional do Petróleo (ANP), os três postos investigados são de bandeira branca, ou seja, não possuem vínculo com grandes distribuidoras. As unidades que utilizavam a marca Corinthians são:
Auto Posto Mega Líder Ltda – Avenida Líder, 2000, Cidade Líder
Auto Posto Mega Líder 2 Sociedade Unipessoal Ltda – Avenida São Miguel, 6337, Vila Norma
Auto Posto Rivelino Ltda – Avenida Padre Estanislau de Campos, 151, Conjunto Habitacional Padre Manoel da Nóbrega
Na última semana, vídeos publicados em redes sociais mostraram a retirada da identidade visual do Corinthians em ao menos uma das unidades, indicando o avanço do processo de rompimento contratual.
Investigação aponta ligação com esquema bilionário
Segundo o Ministério Público, os postos citados estariam ligados a empresários investigados dentro da estrutura atribuída a um grupo comandado por Mohamad Hussein Mourad. As apurações indicam crimes como organização criminosa, lavagem de dinheiro, estelionato e fraudes fiscais, com movimentação estimada em R$ 8,4 bilhões.
Entre os investigados estão nomes apontados como sócios ou representantes legais de dezenas de postos de combustíveis em diferentes estados, o que reforça a dimensão nacional do esquema investigado.
Licenciamento de marca e posicionamento do Corinthians
Em nota oficial, o Corinthians reforçou que não é proprietário nem administrador dos postos de gasolina, mantendo apenas contratos de licenciamento de marca. O clube informou ainda que acompanha de perto o andamento das investigações e não descarta a adoção de medidas jurídicas adicionais, caso seja necessário.
“O Sport Club Corinthians Paulista informa que não é o administrador responsável pelos postos de gasolina citados. Trata-se de contratos de licenciamento de marca. O clube acompanha com máxima atenção o andamento das investigações para, se necessário, tomar as medidas jurídicas cabíveis.”
Duilio Monteiro Alves se manifesta
O ex-presidente Duilio Monteiro Alves, cuja gestão coincidiu com a inauguração das unidades entre 2021 e 2023, afirmou que os contratos de licenciamento já existiam antes de sua posse. Segundo ele, os aditivos assinados passaram pelos órgãos internos do clube e contavam com cláusulas de responsabilização e indenização.
Operação Carbono Oculto também envolve o Fundo Arena
A Operação Carbono Oculto avançou ainda sobre a REAG/Arandu Investimentos, gestora responsável pela administração do Fundo Arena — do qual o Corinthians é o único cotista. A empresa passou a ser investigada por suposta participação em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC, com movimentação estimada em R$ 52 bilhões.
Após a repercussão do caso, o Ministério Público de São Paulo solicitou à Polícia Federal a apuração de possíveis irregularidades envolvendo a gestora. O clube, por sua vez, já iniciou tratativas para substituir a empresa na administração contábil da Neo Química Arena, processo que depende de aval da Caixa Econômica Federal.
Corinthians busca proteger imagem institucional
Com o distrato dos contratos e o acompanhamento rigoroso das investigações, o Corinthians tenta minimizar impactos à sua imagem institucional e reforçar o compromisso com a transparência. O clube do Parque São Jorge afirma que seguirá atento aos desdobramentos do caso, adotando todas as medidas legais necessárias para resguardar seus interesses e os de sua torcida.
