O elenco do Corinthians Feminino foi ao Parque São Jorge cobrar explicações da diretoria sobre valores em atraso. Em 25 de agosto, cerca de 15 jogadoras se reuniram pessoalmente com o presidente Osmar Stabile para tratar da pendência com os direitos de imagem das atletas. Semanas depois, o caso segue sem solução completa e ganhou novos capítulos.

O encontro reuniu ainda a diretora da modalidade, Iris Sesso, e a comissão técnica comandada por Emily Lima. O clima era de cobrança, mas o resultado foi um compromisso formal por parte da diretoria alvinegra, que acabou cumprido apenas pela metade.
O que foi discutido na reunião com Osmar Stabile
Durante a conversa, ficou definido que o Corinthians terá até dez dias para regularizar os valores em aberto referentes aos direitos de imagem de junho e julho. A informação foi apurada inicialmente pelo Meu Timão e confirmada por outros veículos.
Participaram do encontro nomes como Erika, Vic Albuquerque, Gisela Robledo, Thaís Regina, Ivana Fuso e Lelê. Além da cobrança financeira, o grupo também aproveitou a oportunidade para pedir melhorias estruturais no centro de treinamento das Brabas.
Quais valores o Corinthians ainda deve ao elenco feminino
A lista de pendências vai além dos dois meses de direitos de imagem. O clube também não pagou as premiações prometidas pelo título da Libertadores Feminina de 2025, nem os valores referentes aos vices da Copa das Campeãs e da Supercopa do Brasil de 2026. Segundo o UOL, a dívida com a modalidade gira em torno de R$ 1,5 milhão.
Até o momento, a diretoria não apresentou um cronograma para quitar essas premiações. No encontro, Osmar Stabile chegou a prometer que uma das parcelas em atraso seria paga até a sexta-feira seguinte (28), com recursos que o clube esperava receber nos dias seguintes.
O que já foi pago e o que continua pendente
O acordo previa quitar os direitos de imagem de junho e julho em duas etapas. A primeira parcela, referente a junho, foi paga em 28 de agosto, dentro do prometido. A segunda, de julho, tinha novo prazo até a sexta-feira seguinte (dia 4), mas não foi depositada, e o feriado da Independência empurrou qualquer expectativa de pagamento para a semana seguinte.
Ou seja: o combinado feito diretamente com as jogadoras foi cumprido pela metade. Metade dos direitos de imagem foi paga, enquanto o restante, somado às premiações de títulos e vices, seguiu sem data definida para quitação.
Por que a insatisfação das jogadoras aumentou agora
Parte do desconforto das atletas tem relação direta com o tratamento dado ao elenco masculino. Enquanto o time comandado por Fernando Diniz teve parte dos direitos de imagem regularizada recentemente, o pagamento das Brabas segue pendente há mais tempo.
Essa diferença de prioridade entre os departamentos pesou na decisão do grupo de procurar diretamente o presidente. Não é a primeira vez que o Corinthians atrasa valores ao futebol feminino nesta temporada, o que reforça a cobrança por uma solução definitiva, e não apenas paliativa.
Jogadoras e torcida se manifestam
O incômodo saiu dos bastidores e ganhou o gramado. Depois da classificação sobre o Cruzeiro, a atacante Belén Aquino e a goleira Nicole falaram abertamente sobre os atrasos na entrevista coletiva, expondo o impacto da situação na rotina do elenco.
A Fiel também se posicionou. No Canindé, parte da torcida protestou contra a diretoria durante o jogo do Brasileirão Feminino, com cânticos e uma faixa cobrando respeito à modalidade. A pressão mostrou que o tema deixou de ser uma pauta restrita ao vestiário para virar cobrança pública.
Crise financeira também afeta o elenco masculino
Os atrasos com o time feminino acontecem em meio a um momento delicado das finanças do clube. O Corinthians soma três transfer bans ativos, sendo dois aplicados pela Fifa e um pela Câmara Nacional de Resolução de Disputas da CBF, decorrentes de dívidas anteriores.
O clube também deve premiações do Campeonato Brasileiro e da Libertadores ao elenco masculino, além de ter atrasado os salários de agosto de jogadores e comissão técnica. A situação limita, inclusive, a capacidade do Corinthians de registrar novos reforços enquanto as pendências não forem resolvidas.
Dentro de campo, a hegemonia segue
Mesmo com o desgaste fora das quatro linhas, o rendimento esportivo não caiu. As Brabas garantiram a décima semifinal consecutiva do Brasileirão Feminino, feito que reforça o domínio histórico do time na competição.
O contraste é justamente esse: um dos elencos mais vitoriosos do país sustenta o alto nível dentro de campo enquanto cobra, fora dele, aquilo que já lhe é devido. As jogadoras seguem com compromissos importantes pela frente, tanto no Brasileirão quanto na Libertadores.
O que esperar dos próximos dias?
Com parte dos direitos de imagem ainda em aberto e as premiações sem cronograma, a torcida corintiana deve acompanhar de perto se a diretoria vai, enfim, zerar a pendência com o elenco. Existe ainda um risco contratual no horizonte: pela leitura da Justiça, atletas podem pedir rescisão quando os atrasos ultrapassam três meses.
Enquanto a solução financeira não vem, o elenco de Emily Lima segue focado dentro de campo, mas a cobrança feita diretamente a Osmar Stabile, e depois reforçada pela torcida, mostra que a paciência do grupo tem limite. O Corinthians Online vai acompanhar se o clube cumpre o combinado e traz a atualização assim que houver novidades.
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