O Corinthians estuda propostas de empresas interessadas em assumir a gestão do programa Fiel Torcedor, a comercialização de ingressos e o sistema de reconhecimento facial da Neo Química Arena. As negociações envolvem as companhias Ticketmaster e Ingresse.
A possível mudança faz parte de um movimento estratégico da diretoria para otimizar receitas, reduzir custos operacionais e modernizar a experiência do torcedor.
Como funciona atualmente o Fiel Torcedor e a bilheteria
Hoje, as operações são divididas entre duas empresas:
A Ligatech é responsável pelo controle de acesso e reconhecimento facial no estádio.
A OneFan administra o Fiel Torcedor, a venda de ingressos e o aplicativo Universo SCCP.
Caso o Corinthians avance com uma das novas propostas, será necessário rescindir os contratos vigentes — o que envolve cláusulas financeiras relevantes.
Proposta da Ticketmaster
A Ticketmaster apresentou uma oferta robusta ao clube, com os seguintes termos principais:
Antecipação de recebíveis:
R$ 100 milhões no primeiro ano
R$ 150 milhões no segundo ano
Patrocínio direto de R$ 40 milhões
Contrato de cinco anos
Comissão de 8% sobre a venda bruta de ingressos
Comissão de 10% sobre a arrecadação bruta do Fiel Torcedor
Além da operação padrão, a empresa propõe criar uma plataforma personalizada para o torcedor, integrar grandes eventos internacionais ao calendário da Arena e até viabilizar melhorias estruturais, como reforma de iluminação da Fazendinha e criação de um museu no estádio — iniciativas que dependeriam de autorizações públicas.
Proposta da Ingresse
A Ingresse também formalizou proposta com valores expressivos:
Antecipação financeira total de até R$ 400 milhões
R$ 100 milhões no primeiro ano
R$ 300 milhões vinculados ao volume de vendas ao longo do contrato
Duração de cinco anos
Taxa de 6% sobre venda de ingressos
Percentual escalonado entre 5% e 10% sobre o Fiel Torcedor
A empresa já atua em clubes como Botafogo, Bahia e Grêmio na Série A, oferecendo integração tecnológica para jogos e eventos.
Impacto financeiro e rescisões contratuais
Para fechar com uma nova operadora, o Corinthians precisaria romper contratos atuais.
Com a Ligatech, a cláusula prevê saída em 90 dias, com pagamento estimado em cerca de R$ 500 mil pelos equipamentos instalados.
Já a rescisão com a OneFan é mais complexa: a multa pode ultrapassar R$ 30 milhões e o desligamento levaria até 12 meses.
Atualmente, a OneFan tem direito a:
20% da arrecadação bruta do Fiel Torcedor
6% da venda bruta de bilheteria
Contudo, devido ao modelo de luvas e gatilhos de faturamento, a comissão real gira em torno de 10%.
Modernização e desafios tecnológicos
Além do aspecto financeiro, a diretoria analisa o impacto tecnológico da troca de empresas. A implementação de um novo sistema exige integração com reconhecimento facial, plataforma de sócio-torcedor e venda online — processos que envolvem segurança de dados, adaptação operacional e experiência do usuário.
Internamente, diferentes setores do clube estão avaliando as propostas. A decisão precisa equilibrar:
Ganho financeiro imediato
Redução de despesas operacionais
Segurança jurídica
Modernização tecnológica
Experiência do torcedor
Decisão pode redefinir modelo de arrecadação do clube
A eventual mudança na gestão do Fiel Torcedor e da bilheteria pode representar uma transformação estrutural na forma como o Corinthians administra sua principal fonte de receita recorrente fora dos direitos de TV.
Com propostas que envolvem antecipações milionárias e contratos de longo prazo, a escolha da diretoria terá impacto direto no fluxo de caixa, na gestão da Arena e na relação com o torcedor.
Nos próximos dias, o clube deve avançar nas análises antes de tomar uma decisão definitiva.
